sexta-feira, 10 de abril de 2009

CLUBE DOS POETAS MORTOS

Não é nada de especial, mas adoro esta música dos A House.
Talvez porque abre com a referencia à frase de Oscar Wilde que dá o nome a este blogue.
Talvez porque a letra é basicamente uma sucessão de nomes, datas de nascimento e morte de pessoas ligadas à cultura com quem na generalidade me identifico.
Talvez porque a música é boa.
De certeza pelo sentido de humor.
Pouco depois desta música (endless art) ser editada, logo um grupo feminista veio fazer barulho à volta da letra só referir nomes de homens (cenas de gajas ressabiadas que não podem ver nada).
A banda respondeu editando novamente a música (more endless art) mas só com referencia a nomes de mulheres.
É brilhante, não acham?

O VERDADEIRO SOM



Não tem a ver com nenhum disco em especial.
Tenho todos, gosto de cada um à sua maneira.
Não tem a ver com o Adrian Borland já ter morrido e não se fazer mais disto.
Não tem a ver com as letras serem belas e inteligentes.
Não tem a ver com o facto de ter envelhecido bem, como os clássicos, o que de facto aconteceu.
Tem a ver com cumplicidade, com partilha, com identificação.
Tem a ver com, há muito tempo atrás, no tempo em que os animais falavam, quando se falava de música com alguém, inevitavelmente saía a pergunta:
-"Conheces The Sound?"
Uma resposta afirmativa, qual segredo partilhado, era o início, se não duma amizade, pelo menos do sentimento de pertença a uma tribo restrita, de identificação de valores culturais.
E não é à volta de qualquer coisa que isso acontece.
Além do mais, venha quem vier, a música era e continua a ser fantástica!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

MENINOS DO CORO

Para quem não andava distraído por alturas de 1994, este disco não passou despercebido de certeza.
Trata-se do único disco deste duo Irlandês, fortemente influenciado por Cocteau Twins, mas bastante mais arejado e menos etéreo.
Este disco (Mine), abre com um tema próximo do apaixonante (Need) cuja audição recomendo.
Uma pena que tenha passado fora dos radares e se tenha limitado a uma reduzida tiragem da editora 4AD.
E essencialmente que outras coisas na moda à época tenham feito com que não houvesse mais discos da banda.
Mas não deixa de ser uma pérola que não dando para um colar, nem sequer um par de brincos, dá de certeza para um solitário muito giro.

segunda-feira, 30 de março de 2009

DE VOLTA AO BÁSICO

Ora aqui está um conjunto de interpretações que me enche as medidas.
Música com alma, sem complexos, verdadeiramente sentida.
Para quem não conhece a história, tratam-se na realidade de dois discos (agora editados num só cd com 21 músicas) gravados ao vivo num ginásio escolar com um gravador de duas pistas. Todos os músicos do álbum são jovens entre os 9 e 12 anos, que escolheram as músicas e as interpretaram, num projecto de ensino de música de três escolas de uma zona rural do Canadá. Os anos eram 1976 e 1977, foi tudo gravado num só take com dois microfones e estima-se que tenham participado no projecto cerca de 150 crianças.
Mesmo com todas as limitações técnicas e falta de instrumentos, o resultado final é brilhante.
Brilhante ao ponto de fazerem Band on the run, dos Wings parecer uma música fantástica.
E com uma selecção musical curiosíssima, incluindo Beach Boys, Beatles, Bowie, Fleetwood Mac, Eagles e Neil Diamond, entre outros.
E a versão de Calling Occupants of Interplanetary Craft, original dos canadianos Klaatu, só por si justificaria o disco.
São estas coisas que periodicamente renovam a minha fé na música.
A preservar com muito carinho.

quinta-feira, 26 de março de 2009

ANORMAIS BEM CONHECIDOS

Eis um disquinho de 1997 que passou ao lado do radar de muita gente, que na altura comprei por mera curiosidade e se foi gradualmente impondo, como aquela coisa de primeiro estranha-se depois entranha-se que aparecia num anúncio já não me lembro a quê.
A alma da banda era Kid Congo Powers (esse dos Cramps, Gun Club e Bad Seeds), mas esta era constituída por personagens como Jim Sclavunos (também dos Bad Seeds), Mark Eitzel dos American Music Club,e pela voz fantástica de Sally Norvell, entre outros ilustres.
A versão de "She`s like heroin to me" reinventa completamente o clássico dos Gun Club e o disco, apesar de ser um disco de rock tingido de pinceladas góticas é de uma beleza etéra. Para confirmar ouçam músicas como "Dark eyes", "Body and soul" ou "Warm tonight" e digam qualquer coisa.
Mas como digo, pode não colar à primeira. Como muitas coisas boas, vai crescendo...

terça-feira, 24 de março de 2009

CHAMADA DE LONDRES

Este é daqueles discos que naquele exercício estúpido "se fores para uma ilha deserta e só puderes levar 10 discos, quais escolhes?" ia comigo de certeza.
Nunca me canso dele. A capa é um pastiche a um disco de Elvis Presley (até o lettering e as cores são iguais), mas as semelhanças acabam por aí.
Atravessa todos os géneros de música, do rockabilly ao reggae, do new wave ao punk, da música de dança ao jazz, da canção política à pop, do ska ao r&b, sempre com uma qualidade a toda a prova.
E é um disco que transborda energia do princípio ao fim, irrepreensível no alinhamento e com letras que podem ser conotadas com o grito de uma geração, com uma vertente política vincadíssima.
Imaginem os Sex Pistols, com toda aquela carga histórica de tornar a música acessível mesmo a quem não sabe tocar, mas sabendo tocar, tendo uma mensagem e uma criatividade transbordante.
Além do mais esteve na origem da maior gaffe da história da prestigiada revista Rolling Stone, que o considerou o melhor disco de 1980, quando na realidade foi editado em Dezembro de 1979.
No entanto, numa lista publicada em 2003, a mesma revista considerou-o em número oito na lista dos 500 melhores discos de sempre, numa lista decidida por 273 profissionais da indústria musical.
Lá o ranking não discuto, mas que é dos melhores de sempre estou plenamente de acordo.

domingo, 22 de março de 2009

LARANJA MECÂNICA

Mais um que acho precioso. Ainda bem que isto é à distância, senão os fans dos fall (grupo em que me incluo) já me estavam a apedrejar.
Além do mais, em 1988, os fall eram a última banda que imaginava a compor música para um bailado (da Michael Clark Company, mas não deixa de ser bailado).
Tive ocasião de ver a banda ao vivo, mas infelizmente, com grande pena minha, não vi este espectáculo.
Mas mesmo nos dias de hoje, se por acaso em qualquer lado ouço músicas como Jerusalem ou Cab it up, o pezinho começa a abanar.
E ainda foi na época em que o Mark Smith ainda era casado com a Brix Smith (a mesma que formou os fabulosos Adult Net com a metade menos conhecida dos Smiths) que é uma excelente guitarrista e o prova no disquito.
Além do mais acho gira esta sequência de Smiths! Até parece gozo.