segunda-feira, 30 de março de 2009

DE VOLTA AO BÁSICO

Ora aqui está um conjunto de interpretações que me enche as medidas.
Música com alma, sem complexos, verdadeiramente sentida.
Para quem não conhece a história, tratam-se na realidade de dois discos (agora editados num só cd com 21 músicas) gravados ao vivo num ginásio escolar com um gravador de duas pistas. Todos os músicos do álbum são jovens entre os 9 e 12 anos, que escolheram as músicas e as interpretaram, num projecto de ensino de música de três escolas de uma zona rural do Canadá. Os anos eram 1976 e 1977, foi tudo gravado num só take com dois microfones e estima-se que tenham participado no projecto cerca de 150 crianças.
Mesmo com todas as limitações técnicas e falta de instrumentos, o resultado final é brilhante.
Brilhante ao ponto de fazerem Band on the run, dos Wings parecer uma música fantástica.
E com uma selecção musical curiosíssima, incluindo Beach Boys, Beatles, Bowie, Fleetwood Mac, Eagles e Neil Diamond, entre outros.
E a versão de Calling Occupants of Interplanetary Craft, original dos canadianos Klaatu, só por si justificaria o disco.
São estas coisas que periodicamente renovam a minha fé na música.
A preservar com muito carinho.

quinta-feira, 26 de março de 2009

ANORMAIS BEM CONHECIDOS

Eis um disquinho de 1997 que passou ao lado do radar de muita gente, que na altura comprei por mera curiosidade e se foi gradualmente impondo, como aquela coisa de primeiro estranha-se depois entranha-se que aparecia num anúncio já não me lembro a quê.
A alma da banda era Kid Congo Powers (esse dos Cramps, Gun Club e Bad Seeds), mas esta era constituída por personagens como Jim Sclavunos (também dos Bad Seeds), Mark Eitzel dos American Music Club,e pela voz fantástica de Sally Norvell, entre outros ilustres.
A versão de "She`s like heroin to me" reinventa completamente o clássico dos Gun Club e o disco, apesar de ser um disco de rock tingido de pinceladas góticas é de uma beleza etéra. Para confirmar ouçam músicas como "Dark eyes", "Body and soul" ou "Warm tonight" e digam qualquer coisa.
Mas como digo, pode não colar à primeira. Como muitas coisas boas, vai crescendo...

terça-feira, 24 de março de 2009

CHAMADA DE LONDRES

Este é daqueles discos que naquele exercício estúpido "se fores para uma ilha deserta e só puderes levar 10 discos, quais escolhes?" ia comigo de certeza.
Nunca me canso dele. A capa é um pastiche a um disco de Elvis Presley (até o lettering e as cores são iguais), mas as semelhanças acabam por aí.
Atravessa todos os géneros de música, do rockabilly ao reggae, do new wave ao punk, da música de dança ao jazz, da canção política à pop, do ska ao r&b, sempre com uma qualidade a toda a prova.
E é um disco que transborda energia do princípio ao fim, irrepreensível no alinhamento e com letras que podem ser conotadas com o grito de uma geração, com uma vertente política vincadíssima.
Imaginem os Sex Pistols, com toda aquela carga histórica de tornar a música acessível mesmo a quem não sabe tocar, mas sabendo tocar, tendo uma mensagem e uma criatividade transbordante.
Além do mais esteve na origem da maior gaffe da história da prestigiada revista Rolling Stone, que o considerou o melhor disco de 1980, quando na realidade foi editado em Dezembro de 1979.
No entanto, numa lista publicada em 2003, a mesma revista considerou-o em número oito na lista dos 500 melhores discos de sempre, numa lista decidida por 273 profissionais da indústria musical.
Lá o ranking não discuto, mas que é dos melhores de sempre estou plenamente de acordo.

domingo, 22 de março de 2009

LARANJA MECÂNICA

Mais um que acho precioso. Ainda bem que isto é à distância, senão os fans dos fall (grupo em que me incluo) já me estavam a apedrejar.
Além do mais, em 1988, os fall eram a última banda que imaginava a compor música para um bailado (da Michael Clark Company, mas não deixa de ser bailado).
Tive ocasião de ver a banda ao vivo, mas infelizmente, com grande pena minha, não vi este espectáculo.
Mas mesmo nos dias de hoje, se por acaso em qualquer lado ouço músicas como Jerusalem ou Cab it up, o pezinho começa a abanar.
E ainda foi na época em que o Mark Smith ainda era casado com a Brix Smith (a mesma que formou os fabulosos Adult Net com a metade menos conhecida dos Smiths) que é uma excelente guitarrista e o prova no disquito.
Além do mais acho gira esta sequência de Smiths! Até parece gozo.

A ÁRVORE NA FLORESTA

Eis um disco normalmente mal amado, mesmo pelos fãs dos Cure.
Não é por ser do contra, mas cada vez acho que é o meu preferido da banda.
A selecção de músicas nem sequer é das mais felizes, dado que por alturas de 1984, quando o disco foi editado, a banda tinha algumas músicas bem mais populares e consensuais.
Há no entanto todo um ambiente noir à volta da sonoridade que me encanta.
E a versão do "A Forest" é fantástica, com uma das melhores linhas de baixo de sempre.
Como na altura dizia um amigo meu, dá vontade de gravar, por no walkman (é um antepassado remoto do Ipod) subir a uma árvore à noite e ir caçar javalis com arco e flecha. Dito assim parece descabido, mas na altura senti o que ele queria dizer.

sexta-feira, 20 de março de 2009

PAIXÃO

É um disquito de 1981, que ainda tenho em vinil, religiosamente preservado. Não sendo uma obra prima, uma só música vale mais que muitas discografias de alguns grupos que para aí andam, reconhecidos unanimemente pela crítica como "the next big think".
Refiro-me obviamente ao magnífico" I´m in love with a german filmstar", que quem conhece gosta e quem não conhece devia conhecer.
É sintomático se por acaso nalgum sítio se ouve a música, o pessoal pergunta invariavelmente o que é.
Altamente recomendado e acho que não só por mim!